sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Gil Vicente revisitado :-)


(...) Neste momento entra Lianor Vaz, a alcoviteira, e trás uma carta de Pero Marques. Mas antes, esconjura-se com o que lhe aconteceu: Na estrada, foi atacada por um clérigo que a queria seduzir. Momento cômico, com emprego de ironia, tematiza a corrupção do clero.

Lianor - Diz que havia de saber
se era eu fêmea se macho.
(...)
- Irmã, eu t'assolverei
c'o breviario de Braga. (novo trocadilho = braguilha)
(...)
Quando vio revolta a voda (voda, pode ser o mesmo que bodas, mas também pode ser troca da consoante inicial por uma homorgânica)
foi e esfarrapou-me toda
o cabeção da camisa.

Já se pode observar, a esta altura, que a peça toda é escrita em redondilhos maiores. Um pouco a frente, novo calembur de efeito humorístico:

Lianor - Mas queria-me conhecer! (no sentido bíblico, "conhecer" pode ser "possuir")

Logo abaixo, Lianor diz "...que amiga e bom amigo/mais aquenta que o bom lenho.", empregando um ditado popular, como acima ficou dito.
Durante a leitura da carta de Pero Marques (o parvo), percebe-se o linguajar debochado de Inês.

Inês - Na voda de seu avô,
ou onde me viu ora ele?

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